Tesouro Selic: o que é, como funciona e quanto rende
Entenda o Tesouro Selic: como o título rende, o que paga de imposto, IOF e taxa de custódia, quando resgatar e para quem faz sentido começar por ele.
Neste artigo
O Tesouro Selic é um título público que rende de acordo com a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. Ao comprá-lo, você empresta dinheiro ao governo federal e, em troca, recebe juros que acompanham as decisões do Banco Central. Por ser emitido e garantido pelo Tesouro Nacional e ter liquidez diária, costuma ser o primeiro investimento de quem está começando na renda fixa.
Na prática, o Tesouro Selic é a porta de entrada do Tesouro Direto, o programa que permite a pessoas físicas comprar títulos do governo pela internet. Neste guia você vê como ele funciona, o que reduz o seu ganho e quando ele faz sentido.
O que é o Tesouro Selic
O Tesouro Selic é negociado sob o código LFT (Letra Financeira do Tesouro). Segundo a B3, ele tem rentabilidade diária atrelada à Selic, e o principal e os juros são pagos no vencimento do título. Como o rendimento acompanha a taxa básica, o ganho sobe quando a Selic sobe e cai quando ela cai.
Isso o diferencia de um título prefixado, que trava a taxa no momento da compra, e de um título atrelado à inflação, que paga o IPCA mais uma taxa fixa. No Tesouro Selic você não escolhe uma taxa: você aceita acompanhar a Selic.
Qual é o risco
O risco de crédito é considerado baixo, porque quem garante o pagamento é o Tesouro Nacional. A B3 informa que o investimento é garantido pelo Tesouro Nacional, e não pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que cobre outros produtos, como CDB, LCI e LCA.
Existe ainda o risco de preço: se você vender antes do vencimento, o título é negociado a preço de mercado e pode haver pequena oscilação. Segundo a B3 Educação, no Tesouro Selic essa oscilação costuma ter pouco impacto para a maioria dos investidores, justamente porque o título acompanha a taxa de juros do dia a dia.
O que reduz o seu ganho
Três cobranças podem aparecer, e todas valem para qualquer título do Tesouro Direto.
Imposto de renda
O imposto incide só sobre o rendimento (não sobre o valor investido) e segue uma tabela regressiva, que premia quem deixa o dinheiro aplicado por mais tempo. De acordo com a B3, as alíquotas são:
| Prazo da aplicação | Alíquota |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
O imposto é retido automaticamente na fonte, então você não precisa calcular nem pagar guia.
IOF
O IOF só é cobrado em resgates feitos em até 30 dias. A B3 Educação explica que ele diminui a cada dia até zerar no 31º dia. Quem precisa do dinheiro de volta logo depois de investir perde parte do rendimento com esse imposto.
Taxa de custódia da B3
A B3 cobra 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, mas o Tesouro Selic tem isenção até R$ 10 mil por CPF: a taxa incide apenas sobre o que passar desse valor. Pelo exemplo da própria B3, quem tem R$ 10.100 paga 0,2% sobre os R$ 100 excedentes, ou seja, R$ 0,20.
Desde 31/12/2024, a cobrança deixou de ser feita duas vezes por ano (janeiro e julho). Ela passou a ocorrer nas movimentações do título, como vencimento, resgate antecipado ou pagamento de juros, de forma proporcional ao período em que você investiu.
Além disso, a corretora ou o banco pelo qual você compra pode cobrar tarifa própria. Antes de abrir conta, confira se há taxa para operar no Tesouro Direto.
Como investir e resgatar
Para comprar, você precisa ter conta em uma instituição financeira habilitada (banco ou corretora) e cadastro no Tesouro Direto. A compra é feita pelo site ou aplicativo, com aporte fracionado: não é preciso comprar um título inteiro. A B3 Educação cita aportes a partir de cerca de R$ 160, e o valor mínimo pode variar com o preço do título; confira o número atualizado na plataforma em que for investir.
Sobre a liquidez, a B3 informa que não há carência: o investidor pode vender o título a qualquer momento por meio da recompra do Tesouro Nacional. Os horários de recompra mudam conforme a regra vigente, então vale conferir na sua plataforma. Lembre que a venda antes do vencimento usa o preço de mercado do dia.
Exemplo prático de custo
Imagine alguém que aplicou R$ 5.000 e resgatou depois de 10 meses (cerca de 300 dias). Sobre o rendimento, valeria a alíquota de 20% de imposto de renda; não haveria IOF, porque o resgate ocorreu depois de 30 dias, nem taxa de custódia, porque o saldo ficou abaixo de R$ 10 mil. O valor do rendimento depende da Selic no período, e por isso não dá para prometer um número. O que se sabe de antemão é a regra de cada desconto.
Para quem faz sentido
A B3 Educação indica o Tesouro Selic para quem quer montar a reserva de emergência, para iniciantes na renda fixa, para quem precisa de liquidez e para quem busca uma alternativa à poupança em aplicações de curto prazo. Ele é menos adequado para quem quer travar uma taxa por muitos anos ou buscar proteção contra a inflação em prazos longos, casos em que outros títulos do Tesouro podem fazer mais sentido.
Se você ainda está organizando o dinheiro, veja também como funcionam o limite do Pix e a segurança das chaves Pix, ferramentas do dia a dia que ajudam a movimentar o saldo com cuidado.
Resumo
- O Tesouro Selic é um título público (LFT) que rende conforme a taxa Selic e é garantido pelo Tesouro Nacional.
- O imposto de renda segue tabela regressiva: de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias).
- Resgates em até 30 dias pagam IOF, que cai todo dia até zerar no 31º.
- A taxa de custódia de 0,20% ao ano só vale para o que passar de R$ 10 mil por CPF.
- Tem liquidez diária e pouca oscilação de preço, por isso é comum como primeiro passo na renda fixa e na reserva de emergência.
Fontes consultadas