Cripto & Drex

Drex, o real digital: em que pé está o projeto do Banco Central

O Drex acabou? Veja o que é o real digital, por que o BC desligou a plataforma de testes em 2025, o que a fase 3 prevê e o que muda para você no dia a dia.

Logotipo do Drex, o real digital do Banco Central, na tela de um notebook e de um celular
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Neste artigo

O Drex, o projeto de “real digital” do Banco Central, não acabou, mas mudou de rumo: em novembro de 2025 o BC decidiu desligar a plataforma de testes usada nas duas primeiras fases, e a fase 3 passou a ser pensada com outra tecnologia e foco em crédito. Se você ouviu que o Drex “foi cancelado” ou que “vai substituir o Pix”, nenhuma das duas coisas é verdade. Este guia explica o que ele é, o que aconteceu e o que muda para você.

As informações abaixo vêm de reportagens publicadas a partir de novembro de 2025. Como o projeto está em fase de definição, vale conferir a página do Drex no site do Banco Central antes de tomar qualquer decisão.

O que é o Drex

Drex é o nome dado ao real digital brasileiro. A ideia é uma infraestrutura em que ativos e direitos, como um recebível, uma garantia ou um título, possam ser representados de forma digital (a chamada tokenização) e negociados com mais rapidez e menos intermediação, usando como moeda de liquidação o dinheiro do próprio Banco Central.

Segundo a Exame, o Drex não foi concebido como uma versão digital do Pix nem como concorrente das stablecoins. Ele não é uma carteira no seu celular nem um dinheiro novo que você vai guardar: é uma infraestrutura para o sistema financeiro, que o cidadão só perceberia de forma indireta, por exemplo em crédito mais barato ou mais rápido.

O que já aconteceu

O projeto foi lançado em 2023 e teve duas fases de testes com bancos e empresas. A fase 2 selecionou 13 temas entre 42 propostas recebidas, segundo o InfoMoney, e os testes foram concluídos no primeiro semestre de 2025. Toda essa etapa rodou sobre uma plataforma de rede distribuída (blockchain) chamada Hyperledger Besu.

Em 4 de novembro de 2025, o Banco Central comunicou aos participantes que essa plataforma seria desligada. De acordo com o InfoMoney, o motivo eram problemas de privacidade a resolver: os objetivos nessa área não teriam sido atingidos de forma satisfatória na fase 2. Em 12 de novembro, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que, após quatro anos, a tecnologia testada “não se revelou viável”, mas que o projeto continua e que o BC vai anunciar como será feito quando a nova rede estiver funcionando (citação em tradução livre, via Exame).

As etapas do Drex até agora, conforme reportagens do InfoMoney e da Exame.

O que muda na fase 3

A fase 3 estava prevista para o início de 2026, com a tecnologia a ser definida. O foco anunciado é construir um ambiente em que ativos tokenizados conversem entre si e sejam liquidados com moeda da autoridade monetária. As áreas citadas são:

  • Crédito: a Exame aponta que o principal foco do projeto em 2026 seria soluções para essa área, com possível lançamento ainda no ano.
  • Gravames: a reconciliação de garantias, para evitar que o mesmo bem seja dado como garantia mais de uma vez.
  • Garantias em geral: facilitar operações em que um bem ou recebível protege o empréstimo.

Galípolo afirmou que hoje existem outras maneiras de atingir o que se quer, ou seja, a fase 3 não depende mais de blockchain como o piloto dependia. Isso não significa que o BC abandonou a tecnologia para sempre, e o mercado privado segue testando tokenização por conta própria.

Drex, Pix e stablecoins: qual a diferença

PixDrexStablecoin
O que éSistema de pagamentos instantâneosInfraestrutura para ativos tokenizadosAtivo digital privado atrelado a uma moeda
Quem criouBanco CentralBanco CentralEmpresas privadas
Você usa hoje?SimNãoDepende da plataforma
FocoPagar e receberCrédito, garantias, tokenizaçãoPagamentos e transferências

O que muda para você

Por enquanto, nada muda no seu dia a dia. Você não precisa abrir conta, baixar aplicativo nem trocar dinheiro por “Drex”. O Pix, o cartão e a conta continuam funcionando como hoje, e quem promete “Drex” em mensagem, link ou aplicativo está aplicando golpe: o Banco Central não pede cadastro de cidadãos no projeto, que está restrito a instituições participantes.

O efeito possível, mais adiante, é indireto: se a fase 3 entregar o que promete, o crédito com garantia pode ficar mais rápido e menos burocrático para empresas e pessoas. Isso ainda depende de decisões que o BC não divulgou por completo. Para acompanhar, use apenas fontes oficiais. Para entender os golpes que se aproveitam de novidades como essa, veja o guia sobre golpes do Pix e como se proteger.

Resumo

  • O Drex é uma infraestrutura do Banco Central para ativos tokenizados, não um dinheiro novo para o cidadão.
  • Em novembro de 2025, o BC desligou a plataforma de testes por problemas de privacidade, mas disse que o projeto continua.
  • A fase 3 foca em crédito e gravames, com tecnologia ainda a definir.
  • O Pix segue como está e o Drex não o substitui.
  • Convites para “ativar o Drex” são golpe: acompanhe só o site do Banco Central.

Fontes consultadas

  1. BC desliga plataforma do Drex usada até agora por problemas de privacidade (InfoMoney)
  2. Galípolo: tecnologia do Drex 'não se revelou viável', mas projeto não acabou (Exame)
  3. O que vai acontecer com o Drex em 2026? (Exame)
#Drex#Banco Central#real digital#tokenização#Pix
Produzido por

Redação InovaTech

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