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Golpes com criptomoedas: como identificar e evitar

Pirâmide, plataforma falsa, phishing e falso suporte: veja os sinais de cada golpe com criptomoedas, como se proteger e o que fazer se cair em um.

Mão segurando uma moeda física dourada com o símbolo do bitcoin sobre o teclado de um notebook
Foto: Shixart1985/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Neste artigo

Os golpes com criptomoedas quase sempre seguem um dos cinco roteiros: pirâmide financeira, plataforma de investimento falsa, phishing de dados, phishing de assinatura e golpe amoroso. O que eles têm em comum é a pressa e a promessa de ganho fácil. Quem aprende a reconhecer esses sinais evita a maior parte das perdas.

O problema não é só de quem investe em cripto. Segundo a cartilha da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) estimou que cerca de 200 mil brasileiros foram vítimas de fraudes com ativos virtuais em 2021, com prejuízos acima de R$ 1 bilhão. E a facilidade de cair é real: em um teste feito em 2024 pela CVM e pela Anbima, com um site que simulava uma corretora de criptomoedas fraudulenta, 48% dos visitantes demonstraram intenção de investir, mesmo com sinais claros de golpe.

Os 5 golpes mais comuns com criptomoedas

A cartilha da ENCCLA, que reuniu órgãos como Banco Central, CVM, Polícia Federal e Receita Federal, descreve os esquemas mais frequentes. Veja como cada um funciona.

1. Pirâmide financeira

Os participantes são atraídos por promessas de retorno alto com pouco ou nenhum risco. No começo, eles recebem os lucros prometidos, mas esse dinheiro vem de novos investidores. Quando faltam entradas para sustentar os pagamentos, o esquema colapsa e a maioria perde o que aplicou.

Sinais de alerta:

  • Retornos garantidos e muito acima da média do mercado.
  • Necessidade de recrutar novos investidores para manter os ganhos.
  • Falta de informações claras sobre a empresa ou o produto.
  • Pressão para investir logo, “para não perder a oportunidade”.
  • Divulgação por redes sociais e conhecidos, e não por agentes do mercado financeiro.

A CVM, na sua página sobre criptoativos, alerta justamente para ofertas que prometem rentabilidades extraordinárias, como 10%, 20% ou até 60% ao mês. Se a promessa parece boa demais, o risco é proporcional. Para ver como é um rendimento real de renda fixa, compare com o que rende um CDB e o que o FGC cobre.

2. Plataforma de investimento fraudulenta

Os golpistas montam um site que parece legítimo e prometem retornos fixos e garantidos. A vítima deposita o dinheiro, o painel mostra “lucros” e, em algum momento, a plataforma some com os recursos.

Sinais de alerta: empresa sem registro ou autorização, retorno fixo “independentemente do mercado”, responsáveis e endereço que ninguém identifica e depoimentos falsos ou inexistentes.

3. Phishing de dados

É a mensagem que imita uma corretora de criptoativos ou um banco, pedindo que você “confirme uma atividade suspeita”. O link leva a uma página falsa que captura o login e a senha, e logo depois os ativos são transferidos para a conta do golpista.

Sinais de alerta: remetente com domínio diferente do oficial, links que não levam ao site verdadeiro, erros de ortografia e pedido de senha ou dados pessoais.

4. Phishing de assinatura (o “falso suporte”)

Alguém se passa por suporte técnico da sua carteira digital e pede que você assine uma transação para “corrigir um erro” ou evitar o bloqueio da conta. A transação assinada, na verdade, autoriza a transferência dos seus ativos para o golpista. Na cartilha, o exemplo é de uma vítima que perdeu todos os ativos da carteira ao assinar.

Sinais de alerta: urgência, tom alarmista e pedido para assinar uma operação sem explicação lógica. Suporte de verdade não pede a sua frase de recuperação nem a assinatura de transações por mensagem.

5. Golpe amoroso

O criminoso cria um perfil falso, ganha a confiança da vítima e passa a pedir dinheiro para emergências inventadas, como problema de saúde ou despesas de viagem. Quando o assunto vai para cripto, o dinheiro é difícil de rastrear e de recuperar.

Sinais de alerta: pedido de dinheiro depois de pouco tempo de conversa, histórias dramáticas com urgência, informações pessoais que não batem e recusa de encontro ou videochamada.

Como se proteger antes de investir

Sete hábitos simples reduzem muito o risco:

  1. Confira se a empresa é autorizada. A Lei 14.478/2022 determina que as prestadoras de serviços de ativos virtuais só podem funcionar no país mediante prévia autorização de órgão ou entidade da administração pública federal. Consulte os cadastros da CVM, da Anbima e da ABCripto, como recomenda a própria CVM.
  2. Teste a oferta no ContraGolpe. A ferramenta gratuita da CVM com a ABCripto leva cerca de 3 minutos: você responde a 7 perguntas sobre a oferta e recebe um índice de risco em verde (baixo), amarelo (médio) ou vermelho (alto).
  3. Desconfie de retorno garantido. Investimento legítimo envolve risco proporcional ao retorno esperado, e cripto tem volatilidade alta por natureza.
  4. Não clique em links de mensagens. Entre na corretora digitando o endereço ou pelo aplicativo oficial, e confirme qualquer aviso por telefone ou e-mail oficiais.
  5. Ative a autenticação em dois fatores e use senhas fortes e únicas em cada conta.
  6. Nunca informe a frase de recuperação da carteira nem assine transações que você não entende.
  7. Pare quando houver pressa. Prazo curto e “última vaga” são técnicas de pressão. Ninguém sério exige decisão imediata sobre o seu dinheiro.

O que fazer se você caiu em um golpe

A cartilha da ENCCLA orienta três passos:

  • Relatar o golpe à Polícia Civil, à Polícia Federal, ao Ministério Público ou ao Procon, conforme o caso.
  • Preservar as evidências: guarde comprovantes de transações, e-mails, mensagens e prints das conversas.
  • Buscar apoio jurídico, de preferência com advogado especializado em crimes cibernéticos.

Também vale avisar a corretora e o banco por onde o dinheiro saiu, o quanto antes. Quanto mais cedo o registro, maiores as chances de rastrear a movimentação. Isso não garante a devolução do dinheiro, e por isso a prevenção é sempre o melhor caminho.

O que diz a lei

Desde a Lei 14.478/2022, o Código Penal tem o artigo 171-A, que trata da fraude com ativos virtuais: organizar, gerir, ofertar ou distribuir carteiras ou intermediar operações com ativos virtuais, valores mobiliários ou ativos financeiros para obter vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro. A pena é de reclusão de 4 a 8 anos, e multa. Ou seja, o golpe com cripto é crime com pena própria, e denunciar é importante.

Resumo

  • Os golpes mais comuns são pirâmide, plataforma falsa, phishing de dados, phishing de assinatura (falso suporte) e golpe amoroso.
  • Retorno garantido, pressão para decidir rápido e recrutamento de novos “investidores” são os sinais de alerta mais fortes.
  • Confira se a empresa é autorizada e use o ContraGolpe da CVM antes de aplicar.
  • Nunca informe a frase de recuperação da carteira nem assine transação sem entender o que ela faz.
  • Se cair, guarde as provas, registre a ocorrência e procure ajuda jurídica. A fraude com ativos virtuais é crime, com pena de 4 a 8 anos de reclusão.

Fontes consultadas

  1. ENCCLA (Ministério da Justiça): Cartilha Informativa, Principais Golpes com Ativos Virtuais no Brasil
  2. CVM: Criptoativos & Forex
  3. Portal do Investidor (CVM): em um teste da CVM, quase metade dos participantes cairia em golpe de investimentos
  4. Planalto: Lei nº 14.478, de 22 de dezembro de 2022
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Produzido por

Redação InovaTech

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Editor responsável: Jackson Jordão, programador e desenvolvedor de sites, sistemas de gestão e automações para pequenas e médias empresas (Digital Master12).

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