Manutenção

Bateria de carro elétrico: quanto dura, garantia e como ver a saúde

Quanto tempo dura a bateria de um carro elétrico, o que as garantias de BYD e Leapmotor cobrem e como checar a saúde (SoH) antes de comprar um usado.

Nissan Leaf em corte mostra a bateria de íons de lítio, em laranja, instalada sob o assoalho do carro
Foto: Norsk Elbilforening/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Neste artigo

A bateria é a peça mais cara de um carro elétrico, e a dúvida de quem pensa em comprar é sempre a mesma: quanto tempo ela dura e o que acontece quando perde capacidade? A resposta curta: ela perde autonomia devagar, ao longo dos anos, e não “morre de repente”. Segundo uma análise da Geotab com mais de 22.700 carros de 21 marcas, mesmo com uso intenso de recarga rápida a bateria mantém cerca de 78% da capacidade depois de oito anos.

Neste guia você vê o que as garantias no Brasil cobrem, o que faz a bateria envelhecer mais rápido e como conferir a saúde dela antes de comprar um elétrico usado.

Como a bateria envelhece

Toda bateria de íons de lítio perde um pouco de capacidade a cada ciclo de carga e com o tempo. Na prática, o carro continua andando normalmente, mas a autonomia máxima diminui: um carro que fazia 400 km por carga passa a fazer, por exemplo, uns 350 km.

O número que mede isso é o SoH (State of Health, “estado de saúde”). Um SoH de 90% significa que a bateria entrega 90% da autonomia original com carga total.

Quanto ela perde por ano

Os dados da Geotab (relatados pelo site electrive em janeiro de 2026) mostram que o tipo de recarga pesa bastante:

Hábito de recargaPerda por anoPerda em 8 anos
Principalmente corrente alternada (AC, lenta)cerca de 1,5%cerca de 12%
Mistocerca de 1,8% a 2,3%cerca de 17%
Rápida (DC) acima de 100 kW, com frequênciaaté 3,0%cerca de 22%
Estimativas da Geotab com 22.700 carros. Cada carro e cada clima podem fugir da média.

O estudo aponta ainda dois agravantes: rodar muito aumenta o desgaste em cerca de 0,8% ao ano, e regiões mais quentes somam cerca de 0,4% ao ano.

O que as garantias cobrem no Brasil

BYD

Para os modelos 2026/27, a BYD unificou a garantia da bateria em 8 anos ou 200 mil km, segundo a CNN Brasil. A garantia geral de uso particular continua em 6 anos, mas agora com limite de 200 mil km (antes, sem limite de quilometragem). Para uso comercial, como táxi e aplicativo, a garantia geral passou de 2 para 6 anos, com limite de 100 mil km, e a da bateria caiu do limite anterior de 500 mil km para 200 mil km.

Quem tem um modelo anterior mantém as regras originais, inclusive a quilometragem ilimitada.

Leapmotor

A marca ampliou a garantia de toda a linha no Brasil para 6 anos ou 150 mil km. A bateria de tração, o motor elétrico e o inversor continuam cobertos por 8 anos, de forma independente, de acordo com o Autopapo. A cobertura exige cumprir as revisões, a cada 12 meses ou 20 mil km, o que vier primeiro.

Como cuidar para a bateria durar mais

Com base nos fatores que o estudo da Geotab destaca e nas dicas do Canaltech:

  • Prefira a recarga lenta no dia a dia (em casa ou em carregadores AC) e reserve a recarga rápida para viagens.
  • Evite deixar o carro sempre em 0% ou carregar de 0% a 100% toda vez. Segundo o Canaltech, ciclos completos aceleram a degradação.
  • Evite estacionar sob sol forte por muito tempo com a bateria muito cheia ou muito vazia; calor aumenta o desgaste.
  • Siga o plano de revisões da marca: ele costuma ser exigência para manter a garantia.

Comprando um elétrico usado: confira o SoH

O Canaltech lembra que, em elétricos usados, a bateria pode representar até metade do valor do carro. Por isso, quilometragem baixa não basta. Antes de fechar:

  1. Peça a leitura do SoH. Alguns modelos, como BMW i3 e Nissan Leaf, mostram a degradação no painel; em outros, é preciso um scanner OBD-II com aplicativo ou uma oficina especializada.
  2. Pergunte como o carro era carregado: uso frequente de 0% a 100% e de recarga rápida gasta mais.
  3. Veja se a garantia de fábrica ainda vale e se ela passa para o novo dono.
  4. Negocie o preço pelo SoH. Cada ponto percentual perdido reduz a autonomia e o valor; carros perto de 70% e fora da garantia tendem a perder bastante no preço.

O que muda para você

  • Se vai comprar novo: compare, além do preço, a garantia da bateria, o limite de quilômetros e a diferença entre uso particular e de aplicativo. Em carros 2026/27 da BYD, quem roda muito deve olhar o teto de 200 mil km.
  • Se vai comprar usado: exija o SoH por escrito ou faça a leitura na hora; não confie só no hodômetro.
  • No dia a dia: recarga lenta na maior parte do tempo e carga entre faixas intermediárias ajudam a preservar a capacidade, sem custo nenhum.
  • Quer entender melhor a autonomia anunciada? Veja o guia sobre como ler o selo do Inmetro em Autonomia real x anunciada.

Resumo

  • A bateria perde capacidade aos poucos: o estudo da Geotab estima de 12% a 22% em 8 anos, conforme o tipo de recarga.
  • BYD 2026/27: bateria com 8 anos ou 200 mil km; Leapmotor: 8 anos para bateria, motor e inversor.
  • Garantia de bateria costuma cobrir defeito ou queda abaixo de um limite, não a perda normal.
  • Recarga lenta, evitar extremos de carga e calor ajudam a preservar a bateria.
  • No usado, o SoH vale mais que a quilometragem na hora de negociar.

Fontes consultadas

  1. BYD altera política de garantia para modelos 2026/27 (CNN Brasil)
  2. Leapmotor amplia garantia de toda a gama no Brasil para seis anos (Autopapo)
  3. Geotab analysis: impact of fast charging on battery capacity loss (electrive)
  4. Como calcular valor de carro elétrico usado (Canaltech)
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Produzido por

Redação InovaTech

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