Fitness e Wearables

Smartwatch: o que os sensores medem de verdade no treino

Como o relógio mede batimentos com luz, como estima o VO2 máx. e o oxigênio no sangue, e o que os estudos dizem sobre a precisão desses números.

Pessoa de camiseta azul de treino tocando a tela de um smartwatch no pulso
Foto: Luke Chesser/Unsplash
Neste artigo

Um smartwatch mede poucas coisas diretamente e estima muitas outras. Os batimentos cardíacos são medidos com luz, por um sensor óptico na parte de trás do relógio. Já números como VO2 máx., calorias e oxigênio no sangue são calculados a partir dos batimentos, do movimento e do GPS, e têm margem de erro maior. Saber o que é medida e o que é estimativa ajuda a usar o relógio do jeito certo: para acompanhar a evolução, não como exame.

Abaixo, como cada sensor funciona e o que estudos independentes encontraram sobre a precisão.

Batimentos cardíacos: medidos com luz

O sensor de frequência cardíaca do pulso usa uma técnica chamada fotopletismografia. A Apple explica como funciona no Apple Watch: LEDs verdes iluminam a pele e fotodiodos medem quanta luz o sangue absorve. A cada batida do coração, o fluxo de sangue no pulso aumenta e a absorção de luz verde também. Piscando os LEDs centenas de vezes por segundo, o relógio calcula os batimentos por minuto.

Alguns detalhes do Apple Watch, segundo a própria Apple:

  • o sensor óptico mede de 30 a 210 batimentos por minuto;
  • durante o sono, o relógio usa luz infravermelha;
  • nos modelos a partir do Series 4 e no Ultra, há também um sensor elétrico (eletrodos na coroa digital e no fundo do relógio), usado pelo app de eletrocardiograma.

Outras marcas usam o mesmo princípio óptico, com sensores e algoritmos próprios.

VO2 máx.: uma estimativa, não uma medição

O VO2 máx. é o volume máximo de oxigênio que o corpo consegue usar por minuto, por quilo de peso. Em laboratório, ele é medido com máscara e análise dos gases da respiração. O relógio não faz isso: ele estima o valor cruzando batimentos e ritmo.

Nos relógios Garmin, segundo o manual, a estimativa exige frequência cardíaca do pulso ou de uma cinta compatível e uma corrida ao ar livre, com GPS, em intensidade moderada por alguns minutos. No ciclismo, exige também um medidor de potência. O manual avisa ainda que o número pode parecer impreciso no começo, porque o relógio precisa de algumas atividades para aprender o seu desempenho.

Um estudo publicado em 2025 na revista científica Sensors comparou o Garmin fēnix 6 com testes de laboratório. Na estimativa de VO2 máx., o erro médio absoluto foi de 7,05%, e os autores consideraram o resultado preciso. Ou seja: bom para ver se o condicionamento está melhorando ao longo dos meses, menos útil como número exato.

Oxigênio no sangue: o ponto mais fraco

Muitos relógios medem a saturação de oxigênio (SpO2) com luz vermelha e infravermelha. O mesmo estudo da Sensors testou essa função no fēnix 6 e concluiu que ela não foi precisa e não deve ser usada para acompanhar a adaptação à altitude. Trate o SpO2 do relógio como curiosidade, não como medida de saúde.

GPS: distância e ritmo

Na corrida e no ciclismo ao ar livre, o GPS mede distância, ritmo e o trajeto. A precisão cai entre prédios altos, em túneis e debaixo de árvores densas. Relógios mais recentes usam GPS de dupla frequência, que tende a errar menos nesses lugares. Em esteira, sem GPS, a distância é estimada pelo movimento do braço e costuma variar mais.

Medido x estimado: resumo dos sensores

DadoComo o relógio obtémConfiabilidade
BatimentosMedidos pelo sensor óptico (luz)Boa em repouso e ritmo constante; cai com relógio frouxo e esforço muito variável
Distância e ritmo ao ar livreMedidos pelo GPSBoa em campo aberto; cai entre prédios e árvores
VO2 máx.Estimado (batimentos + ritmo)Bom para tendência (cerca de 7% de erro no estudo citado)
CaloriasEstimadasUse só como referência
SpO2Estimado (luz vermelha e infravermelha)Fraca no estudo citado

O que olhar ao escolher

  • Compatibilidade com o celular: o Apple Watch funciona com iPhone; outros relógios costumam funcionar com Android e iPhone, às vezes com menos recursos no iPhone.
  • GPS no próprio relógio, se a ideia é correr sem levar o celular.
  • Suporte a cinta peitoral, para quem treina com intervalos.
  • Bateria com GPS ligado, não só a bateria “em uso normal” da caixa.
  • App de treino: veja se ele mostra histórico e tendências de forma clara.

Para escolher outros aparelhos pela ficha técnica, veja também o guia de como escolher celular.

Resumo

  • Batimentos são medidos com luz; o ajuste no pulso faz diferença.
  • VO2 máx. e calorias são estimativas; servem para acompanhar a evolução.
  • O SpO2 de relógio foi impreciso em estudo independente.
  • Use o relógio para tendências e conforto no treino, nunca no lugar de exame médico.

Fontes consultadas

  1. Apple: Monitorar a frequência cardíaca com o Apple Watch
  2. Garmin: Venu X1 Owner's Manual, About VO2 Max. Estimates
  3. Sensors (2025): Validation of Aerobic Capacity (VO2max) and Pulse Oximetry in Wearable Technology
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Produzido por

Redação InovaTech

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Editor responsável: Jackson Jordão, programador e desenvolvedor de sites, sistemas de gestão e automações para pequenas e médias empresas (Digital Master12).

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