Economia Doméstica

Open Finance: o que é, como autorizar e como cancelar o compartilhamento

Entenda o Open Finance, o que seu banco pode compartilhar, quanto custa, como autorizar, como cancelar e o que muda para pessoas e pequenas empresas.

Entrada do prédio do Banco Central do Brasil, em Brasília
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Neste artigo

Open Finance é o sistema regulado pelo Banco Central que permite compartilhar seus dados financeiros entre bancos, fintechs e outras instituições, mas só com a sua autorização. Ele não é um aplicativo: é um conjunto de regras e tecnologias que faz seu banco “conversar” com outro serviço quando você manda. O uso é gratuito para o consumidor e você pode cancelar quando quiser.

Neste guia você vai ver o que exatamente é compartilhado, como autorizar, como cancelar e o que o Open Finance já muda no seu dia a dia, do Pix por aproximação ao crédito para pequenas empresas.

O que é o Open Finance, em palavras simples

Hoje, seus dados de conta, cartão e empréstimos ficam guardados no banco onde você os criou. Com o Open Finance, você pode pedir que esse banco envie uma cópia de parte dessas informações para outra instituição, que as usa para oferecer algo a você: uma proposta de crédito, um painel que reúne todas as suas contas ou um jeito mais simples de pagar.

O sistema foi criado em 2021 pelo Banco Central, segundo o InfoMoney, e se baseia em um princípio: os dados são seus, e nada circula sem o seu consentimento. O modelo existe também em outros países, como Reino Unido, Austrália e Índia.

Quais dados podem ser compartilhados

Dependendo do que você autorizar, o compartilhamento pode incluir:

  • Dados cadastrais: nome, CPF ou CNPJ, telefone e endereço.
  • Dados de movimentação: extrato da conta, faturas de cartão e histórico de operações.
  • Dados de produtos: empréstimos e financiamentos contratados.

Você escolhe quais dados vão, para qual instituição e por quanto tempo. O Canaltech resume assim: o usuário define o que compartilhar, com quem e pode revogar o acesso a qualquer momento.

Quanto custa

Para quem compartilha, nada. De acordo com o InfoMoney, o consumidor não paga para pedir o compartilhamento e o banco que envia os dados não pode cobrar por isso. O que pode ter custo é um serviço adicional que você contrate depois na instituição que recebeu os dados, como um empréstimo ou uma conta.

Como autorizar, passo a passo

O caminho do consentimento: pedir, autorizar e controlar.
  1. Comece pelo app de quem vai receber. Abra o aplicativo do banco, da fintech ou da carteira digital que você quer usar e procure a opção de trazer dados de outro banco ou conectar uma conta.
  2. Escolha o banco de origem. Você será levado ao app do seu banco, onde o pedido aparece para confirmação.
  3. Leia antes de confirmar. Veja quais dados serão enviados, para quem e por quanto tempo.
  4. Autorize no app do seu banco. A confirmação sempre acontece no ambiente do banco onde você já tem conta.

Por quanto tempo vale e como cancelar

No começo, o consentimento valia por um período máximo de 12 meses e precisava ser renovado. Em abril de 2024, o InfoMoney informou que a autorização passou a poder durar por tempo indeterminado, sem renovação periódica. Em contrapartida, o cliente continua podendo cancelar quando quiser, diretamente no app do seu banco, ou pedir um prazo menor.

Na prática: o prazo mostrado na tela de autorização pode variar de uma instituição para outra. Leia o que aparece e, de tempos em tempos, revise as autorizações ativas no aplicativo do seu banco. Cancelou o que não usa mais? Menos dados circulando.

O que o Open Finance já muda no dia a dia

Pix por aproximação com saldo à vista

Desde 22 de junho de 2026, segundo a Agência Brasil, quem usa o Pix por aproximação em carteiras digitais pode autorizar o compartilhamento de saldo e limite para ver essas informações antes de pagar. O Banco Central chama o recurso de “jornada otimizada” e diz que ele serve para reduzir recusas por falta de saldo. A autorização é opcional e é preciso escolhê-la durante o processo. Para entender as outras regras do Pix por aproximação, veja o fim do limite de R$ 500.

Transferências e pagamentos agendados

Em 2024, o InfoMoney listou recursos que já usam a estrutura do Open Finance: as transferências inteligentes (programar valores fixos entre contas de mesma titularidade) e o agendamento recorrente, que funciona entre titularidades diferentes e permite até 24 parcelas. A reportagem também apontava o Pix Automático, com valores definidos por quem recebe, em dois formatos, um deles no Open Finance, para mensalidades e assinaturas.

Crédito e organização das finanças

Entre os benefícios citados pelo Canaltech estão ver várias contas em um só aplicativo, receber ofertas de crédito mais ajustadas ao seu perfil e ter aprovações mais rápidas. O argumento é que, com mais informação sobre o seu histórico, a instituição consegue avaliar melhor quem ainda não tem muito histórico de crédito. Isso não garante aprovação nem taxa menor: cada instituição decide com as próprias regras.

O que muda para pequenas empresas

O Open Finance vale para CNPJ também. O InfoMoney cita entre os dados compartilháveis informações como renda e faturamento. Para um pequeno negócio, isso pode significar:

  • Crédito com análise mais rápida, porque o credor enxerga o movimento real da conta sem pedir uma pilha de extratos.
  • Visão única do caixa, juntando contas de bancos diferentes em um painel.
  • Cobrança recorrente por Pix, com o Pix Automático, em vez do boleto.

Compare sempre as ofertas completas (taxa, prazo, custo total) antes de contratar. O compartilhamento de dados é só o começo da conversa; a decisão continua sendo sua.

Perguntas rápidas

Open Finance é seguro? Ele é regulado e supervisionado pelo Banco Central, e só instituições autorizadas por ele participam, segundo o InfoMoney. O maior risco está na engenharia social: golpistas que tentam fazer você mesmo autorizar algo.

Preciso compartilhar para ter conta em banco digital? As fontes consultadas não indicam essa exigência. O compartilhamento é voluntário e você pode seguir usando seus serviços sem ele.

Quem recebe meus dados pode vendê-los? Os dados só podem ser usados para a finalidade que você autorizou, e valem as regras da LGPD, a lei de proteção de dados. Em caso de dúvida, leia os termos da instituição antes de confirmar.

Resumo

  • Open Finance é o sistema do Banco Central em que você manda um banco compartilhar seus dados com outra instituição, sempre com consentimento.
  • É gratuito para o consumidor; você escolhe os dados, o destino e o prazo.
  • Você autoriza no app do seu banco e pode cancelar quando quiser pelo mesmo app.
  • Já funciona no Pix por aproximação com saldo (desde 22/06/2026), em agendamentos e na análise de crédito.
  • Autorize só o que você mesmo pediu e revise de vez em quando as permissões ativas.

Fontes consultadas

  1. Open Finance: o que é e como funciona? (InfoMoney)
  2. Open Finance: liberação de dados por cliente vai durar por tempo indeterminado (InfoMoney)
  3. Menos dívidas? 4 recursos de Open Finance e Pix vão mudar a gestão de suas finanças (InfoMoney)
  4. Open Finance: saiba o que é e como pode te dar mais poder sobre seu dinheiro (Canaltech)
  5. Pix por aproximação passa a mostrar saldo antes do pagamento (Agência Brasil)
#Open Finance#Banco Central#Pix#bancos digitais#dados
Produzido por

Redação InovaTech

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