ChatGPT vai marcar textos com assinatura invisível na Europa
OpenAI começa a marcar com sinal invisível o texto do ChatGPT e do Codex na União Europeia. Veja como funciona, o que fica de fora e o que muda para quem está no Brasil.
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A OpenAI anunciou nesta segunda-feira (5) que vai passar a embutir uma marca d’água invisível nos textos gerados pelo ChatGPT e pelo Codex na União Europeia. A medida atende ao AI Act, a lei europeia de IA, e será liberada aos poucos, nas próximas semanas, para usuários elegíveis de todos os planos. Fora da Europa, a marca não é ligada por padrão, mas desenvolvedores que usam a API da empresa em qualquer país já podem ativá-la em alguns modelos.
Como funciona a “assinatura” no texto
A tecnologia se chama textGrain. Segundo a descrição publicada pela empresa e relatada pelo TechCrunch, ela não coloca caracteres escondidos nem espaços estranhos no texto. Em vez disso, ajusta de leve a escolha de palavras do modelo, seguindo uma chave secreta. O resultado é um padrão estatístico que o leitor não percebe, mas que um detector consegue medir.
Como o sinal está na própria redação, ele acompanha o texto quando alguém copia e cola. O ponto fraco é justamente a edição: nos testes citados pelo TechCrunch, trocar 10% das palavras por sinônimos derrubou a taxa de detecção de 92% para 66%. O Engadget cita ainda que, em textos curtos, o acerto fica em torno de 80%.
O que fica de fora
A própria OpenAI avisa que a ausência da marca não prova que um texto foi escrito por uma pessoa. O texto pode ser curto demais, ter sido muito editado ou ter vindo de outra IA. A marca também não diz quem usou a ferramenta, quanto da autoria é humana, quem é o dono do texto nem se o conteúdo está correto.
O acesso ao detector, por ora, será restrito a pesquisadores aprovados e organizações especializadas, e ele não revela o usuário nem o que foi pedido, de acordo com o Engadget. Ou seja: o leitor comum não vai poder colar um texto num site e descobrir se foi o ChatGPT que escreveu.
Por que a Europa
O Artigo 50 do AI Act exige que provedores de IA generativa tornem os textos gerados identificáveis por máquina. O Engadget informa que o prazo de adequação para sistemas já existentes termina em 2 de dezembro. A tendência é que outras big techs que operam na Europa, como Google, Microsoft e Meta, precisem de soluções parecidas.
| Quem | O que acontece |
|---|---|
| Usuários do ChatGPT e do Codex na UE | Marca ligada por padrão, em liberação gradual nas próximas semanas |
| Desenvolvedores com a API da OpenAI, em qualquer país | Podem ativar a marca em modelos selecionados, desde já; vem desligada |
| Usuários fora da UE | Sem informação oficial de que a marca será ligada por padrão |
O que muda para você
- Se você usa o ChatGPT no Brasil: pelo que as fontes informam, nada muda no uso diário agora. A ativação padrão é só para a Europa, e não há anúncio de que o Brasil terá a marca.
- Se você mora ou viaja para a Europa: textos gerados na conta podem sair com a assinatura invisível. Ela não altera como o texto aparece para você.
- Se é desenvolvedor ou empresa: vale avaliar a opção da API, sobretudo se seus produtos têm clientes europeus e precisam cumprir o AI Act. Teste antes, porque a detecção cai com edição.
- Se é estudante, professor ou profissional de conteúdo: não use a marca como prova. Ela não serve para acusar alguém de ter usado IA, e a própria empresa diz que a falta dela não prova autoria humana.
- Para quem acompanha regulação: é um sinal de como as regras europeias começam a mexer nos produtos de IA que também usamos aqui. Para saber como as empresas já mostram o que a IA faz no celular, veja IA no celular: o que cada recurso faz.
Resumo
- A OpenAI vai marcar de forma invisível os textos do ChatGPT e do Codex na União Europeia, nas próximas semanas.
- A tecnologia, chamada textGrain, altera sutilmente a escolha de palavras com uma chave secreta.
- A marca perde força com edição e em textos curtos, e não prova autoria humana quando ausente.
- Desenvolvedores de qualquer país podem ativar a marca na API em modelos selecionados.
- Não há informação oficial de que usuários no Brasil terão a marca ativada por padrão.
Fontes consultadas